19.5.13

#1 [até lá abaixo]



No início de 2010, os jornalistas Tiago Carrasco, João Fontes e João Henriques encetaram uma travessia que os levou de uma vida precária e existencialmente atribulada, com sede em Lisboa, até aos palcos do Campeonato do Mundo de futebol, na África do Sul.
O resumo dos 30mil km de aventura a bordo de um jipe chamado Yuran, cruzando 21 países cheios de línguas, povos, cores, tradições, paisagens, imagens, marcas da aventura marítima portuguesa, contrastes sociais, histórias de passados gloriosos e de revoluções por fazer, amizades de circunstância ou para uma vida, está à disposição dos apreciadores de literatura de viagem (e dos masoquistas …) no livro Até lá Abaixo, publicado por Carrasco em 2011 (podem ver aqui o book trailer)
Nos últimos meses tenho andado às voltas por África. Não pelas estradas ou pelos portos, mas navegando pelos seus hospitais e sistemas de saúde, trabalhando os indicadores de bem-estar, comparando dados do desenvolvimento humano, tropeçando nos números impressionantes do VIH Sida – mais de 65% dos infectados e infectadas do planeta estarão neste continente… Depois destas 314 páginas, que me fizeram sentir verdadeiramente on the road, a perspectiva que venho construindo sobre tudo isto não terá mudado muito, mas passou certamente a ter outro sentido.

7.5.13

#1 [tantas formas de escrever desejo]

Dedos entrelaçados, clandestinos, no silêncio de uma sala de cinema.

6.5.13

#1 [O Caderno Afegão]

É banal dizer de determinado livro que desperta em nós uma vontade enorme de largar tudo e viajar. Prometo não voltar a usar frases feitas para descrever o que me provocou o Caderno Afegão, de Alexandra Lucas Coelho.
Aliás, o Caderno é, todo ele, uma alternativa àqueles lugares comuns sobre o Afeganistão que pululam na imprensa e nas redes sociais. É antes um olhar curioso e, de certa forma, desapegado de uma cultura e de um povo (vários aliás) que, desde 2001, os especialistas instantâneos se fartaram de analisar e descrever, recorrendo vezes sem conta a lugares comuns e passando ao lado da vida real de quem sofre na pele os resultados das contradições que a geopolítica tece.

5.5.13

#1 [corrida de cores fortes]

 
Ontem o final da tarde foi dedicado à primeira edição do Trilho das Lampas. Não podia perder esta corridita de 18km, por caminhos romanos e trilhos de pé posto, que saiu e regressou a S. João das Lampas, passando por Catribana, Assafora e pela praia da Samarra. 
O grande impulsionador da iniciativa foi o amigo Fernando Andrade, cidadão apaixonado pela corrida e pela sua terra, homem persistente e empreendedor, responsável pela organização (sempre exemplar) de uma das míticas meias maratonas deste país, que decidiu mostrar aos/ás 350 participantes que em S. João há muita coisa para correr e não só por rampas.
O Trilho, como seria de esperar, não desiludiu: um belo percursos pelo fim da tarde, com os moínhos a observar atentamente quem passava, silêncio e pirilampos, uma brisa suave com os cheiros da maresia e de toda a flora mediterrânica no seu explendor primaveril. E as cores, que nada tiveram de artificial....  
A juntar a tudo isto, saliente-se a boa gestão da segurança e dos abastecimentos e a óptima sopinha no final, entre satisfação e gargalhadas de toda a gente. Uma prova para repetir.

30.4.13

#1 [PhD mode]

28.

Passou-se muito tempo antes de alguém falar.
Pelo canto do olho, Phouchg observou o mar de rostos tensos e expectante que enchia completamente a praça-
- Vamos ser linchados, não vamos? – sussurrou.
- Foi uma tarefa muito difícil – disse Pensamento Profundo num tom fatigado.
- Quarenta e dois! – gritou Loonquawl. É só isso que tens a dizer depois de sete milhões e meio de anos de trabalho?
- Verifiquei tudo muito cuidadosamente e posso assegurar-vos que é definitivamente essa a resposta. Para vos ser franco, digo-vos que acho que o problema é que vocês nunca souberam qual era a pergunta.
- Mas era a Grande Pergunta! A Pergunta Derradeira sobre a Vida, o Universo e Tudo o Resto - uivou Loonquawl.
- Pois – respondeu Pensamento Profundo com voz de quem está a lidar com um idiota. – mas qual é mesmo a pergunta?
Um silêncio lento e estupefacto caiu sobre os dois homens que, depois de ficarem a olhar para o computador, ficaram a olhar um para o outro.
- Bom… é simplesmente tudo… Tudo… - atirou Phouchg debilmente.
- Exactamente – disse Pensamento Profundo. – Portanto quando souberem qual é realmente a pergunta, saberão o que quer dizer a resposta.
(…)

Douglas Adams,
The Hitchhiker's Guide to the Galaxy

26.4.13

#1 [abrandar o ritmo...]

No último ano tive a sorte de poder adaptar a minha vida e passar a usar a bicicleta na maior parte das deslocações diárias (casa trabalho e outras que tais). Havia tempo que sonhava com tal oportunidade e penso tê-la aproveitado bem, tendo pedalado uns 1400km.
Deixei 100€ em manutenção e peças na SintraBike (gente competente e simpática, vénias) e mais 25€ num hiper de material desportivo. Desde 2009 que não fazia gastos desta natureza, pelo que este foi, sem dúvida, um investimento de futuro.
Por outro lado, poupei cerca de 450€ em títulos de transporte que não adquirí e, já agora, muito tempo que não perdi em esperas. 
Além dos benefícios financeiros e de saúde, diverti-me imenso. Foi sempre a somar.

25.4.13

#1 [...]

Calcorrear as ruas da cidade, captando um pouco de uma alegria que transborda.
Encher o pulmão de ar  fresco e da esperança que trazem as primeiras flores.
Pela noite fora, escrever e saborear as  memórias de tudo isto, mesmo do que está  distante.
Abril sempre.

19.4.13

#1 [Instante apenas]


Instante apenas
Dizem-nos ter sido lenta
(e silenciosa)
a evolução do tulipeiro.
Estaríamos, por ventura, convencidos
de que tamanha beleza
é coisa de um instante apenas?

Sintra, 19 de Abril de 2013

11.4.13

Mundo ao contrário...


done!
Originally uploaded by André Beja

10.4.13

#1 [Thatcher Morreu. A Tina não]

Quando existem, as políticas sociais reproduzem uma aproximação à compaixão e a ideia de que “não existe uma alternativa” (a famigerada TINA – There is No Alternative) domina o discurso político.

 Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net

ADENDA: por acasos daqueles, esta tradução foi também impressa no jornal O Angolense, edição 511 de 20 de Abril...